A maior banda de todos os tempos da última semana está de volta com Sacos Plásticos, depois de vinte e sete anos de uma vitoriosa carreira e cinco sem lançar um disco de inéditas.
Aos fãs desde sempre a boa notícia é que se trata de um disco absolutamente Titãs, que remete aos antológicos ‘Jesus Não tem Dentes no País dos Banguelas’ e ‘O Blesk Blom’, – com muita porrada, sons eletrônicos misturados às guitarras distorcidas, a levada reta com acentos de reggae e funk e o velho e bom discurso direto, construído sobre palavras de ordem e versos curtos.
A produção de Sacos Plásticos de Rick Bonadio é impecável. Com um jeito muito peculiar de gravar rock, ele coloca as guitarras, baixo e bumbo de bateria na frente, no entanto, ao contrário do que faz a maioria, um pouco atrás das vozes.
O resultado: um som pesado mas claro, onde se entende tudo sem suavizar nada. Os próprios Titãs estão tocando melhor do que nunca, com adaptações instrumentais surpreendentes, como por exemplo, Branco Melo e Sérgio Brito se revezando no baixo.
É bom lembrar que neste disco não há músicos de apoio. O único não titã que toca algum instrumento é o próprio Bonadio, com seus teclados, guitarras e violões. As canções oscilam entre baladas românticas que sempre carregam certa aspereza, como ‘Antes de Você’, outras que se aproximam do pop, como ‘Quanto tempo’ e rocks bem pesados e, como o caso das excelentes ‘Amos por Dinheiro’ e a faixa título ‘Sacos Plásticos’.
A máxima de que com o tempo todos nós suavizamos as coisas não serve em absoluto para os Titãs. Os ‘meninos’ caminham pros cinquenta com gás, energia e, principalmente, irreverência de garotos.
Nem mesmo as orquestrações para ‘Porque eu Sei que’ ‘Amor’ e ‘Deixa eu Sangrar’ desenhadas e gravadas por Eric Silver, em Nashville, nos Estados Unidos, envelhecem ou careteiam o disco.
Vale destacar também a arte da capa, concebida pelo tecladista Sérgio Brito, que já assinou as de Cabeça Dinossauro (1986) e Go Back(1988), entre outras. Nesta aparecem manequins de plástico de todos os tipos e sexos espalhados por um porto cuja cor predominante é a mesma dos bonecos.
Depois de todos estes anos, os Titãs podem encher a boca e dizer que a principal referência e influência deste ‘Sacos Plásticos’ são eles mesmos. Em outras palavras, é um disco novíssimo em que a banda ensina a si própria e, com isso, se renova para mais trinta.