A editora Larousse acaba de lançar "Bob Dylan – Gravações Comentadas Discografia Completa", de Brian Hinton. O pequeno livro em formato de CD é o terceiro de uma série em que já saíram os Beatles e os Rolling Stones.
Para quem gosta e acompanha a carreira do controverso cantor americano, trata-se de um sonho, onde encontramos cada detalhe de tudo o que aconteceu durante a realização de sua extensa discografia.
Cada um dos discos recebe uma pequena apresentação antecedida por uma ficha técnica com os dados de quem tocou, produziu, data e local onde foram realizadas as gravações entre outros aspectos que vão até as faixas realizadas que não foram aproveitadas.
Depois disso, um texto comenta tudo o que antecedeu a feitura do disco em si, onde estava o artista quando compôs as canções, a reação da crítica na época, a relação com o produtor e os músicos, vendagem etc.
Todas estas informações são entremeadas por uma foto da capa que ocupa uma página inteira e, a seguir, comentário do disco gravação por gravação, desde a letra, interpretação, arranjos, enfim, tudo o que aconteceu até chegar ao produto final. Para o fã incondicional e também qualquer um que queira saber um pouco mais sobre o universo de Dylan, o livro é irrepreensível.
Seu autor, Brian Hinton, é um especialista em música pop, particularmente inclinado ao folk e à country music. Já escreveu várias biografias, entre elas as de Joni Mitchel, Van Morrison, Elvis Costello e é também o autor da história oficial do lendário festival da Ilha de Wight.
O cuidado com a edição final e o nível de informações que há em “Bob Dylan – Gravações Comentadas Discografia Completa” é extremo. É bem improvável que haja algo na vida musical de Bob Dylan, particularmente nos seus discos, que não seja abordado no livro.
Estão lá desde os seus discos mais famosos, como “Blonde on Blonde”, “Blood on the Tracks”, “Desire”, “New Morning”, passando pelas coletâneas, trilhas de filmes, gravações ao vivo, participações em discos de outros artistas até as várias gravações piratas, criteriosamente lançadas pela Columbia na série “The Bootleg Series, Rare and Unreleased”.
Ao contrário do que sugerem as biografias de artistas da música, o formato deste é de um livro de referência.
Tudo é muito direto e econômico, não dando tempo nem espaço para criar mitologias. Mostra as coisas como foram, da maneira mais sucinta possível.
O livro não se perde em extravagâncias e exageros, exceto quando eles foram determinantes para o resultado final.
Em vários momentos, por exemplo, é delicioso descobrir que Dylan enganava músicos e produtores ao gravar inadvertidamente o que seriam meros ensaios e os lançava na versão final. Versões que, invariavelmente, entravam para a história da música. Imperdível.