Brasil - Santos - 9/9/2010
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Todos os Tons
Julinho Bittencourt - é jornalista, músico e atualmente reside em Brasília.
Humberto Teixeira, o Doutor do Baião

 
Está em cartaz o precioso documentário “O Homem que Engarrafava Nuvens”, de Lírio Ferreira, diretor de “Árido Movie”, “Cartola” e “Baile Perfumado”. O filme é sobre a vida e a obra de Humberto Teixeira.
 
É uma pena seu nome carecer sempre de alguma explicação, principalmente aos mais jovens, mas Humberto Teixeira é nada mais nada menos do que o autor de “Asa Branca”, ao lado de Luís Gonzaga.

 

Como se não bastasse ter feito uma das canções brasileiras mais executadas de todos os tempos, a dupla fez ainda muitos outros sucessos retumbantes como “Baião” e “Paraíba”. O filme trata, portanto, de um dos compositores brasileiros mais importantes de todos os tempos, com uma das obras mais executadas e gravadas que se tem notícia.

 

O fio condutor da obra é a visão de sua filha, a conhecida atriz Denise Dumont, que também é a produtora do filme. A partir de imagens dela ao lado do jazigo do doutor do baião, como era conhecido Teixeira, a sua história é reconstituída, desde a sua Iguatu (CE), também cidade natal do maestro Eleazer de Carvalho e do compositor Evaldo Gouveia, até a fama no Rio de Janeiro e também no mundo.

 

O documentário, muito além de ser mera biografia ou catálogo de canções, consegue ser tanto um lindo retrato de um país em formação, que ganha aqui e acolá, projeção mundial, como também um mergulho no universo pessoal do compositor, com tudo o que isso traz de bom e também nem tanto. O ápice disso é um diálogo entre Denise Dumont e sua mãe, a também pianista Margarida Jatobá, que escancara, diante das câmeras, todos os senões da sua vida afetiva com o personagem.

 

Não ligava para a fama

 

Fora isso, no entanto, “O Homem que Engarrafava Nuvens” revela um homem inteligente, extremamente criativo e, ao mesmo tempo, ao contrário do que muitos puderam pensar, feliz com a fama de Luiz Gonzaga e nem um pouco contrariado por estar na sua sombra. Um advogado apaixonado pelo meio artístico, que compôs várias canções inesquecíveis e, ao que parece, plenamente realizado com isso.

 

Um outro lado que o documentário nos traz, e que é de fato surpreendente até para quem tem certa familiaridade com a sua obra, é a comprovação da projeção mundial do baião e, particularmente das composições mais famosas de Humberto Teixeira.

 

Vários artistas, com destaque para David Byrne, prestam depoimentos sobre a qualidade artística e importância da sua obra. Numa das cenas finais, uma comovente apresentação do grupo brasileiro radicado em Nova York, Forró in the Dark, nos internacionaliza em forma e conteúdo, harmonia, melodia e ritmo, e também, é claro, em letra e música.

 

“O Homem que Engarrafava Nuvens”, além de muito prazeroso de ver, nos dá a possibilidade de amar ainda mais um artista e uma obra que já amávamos. Mas que não sabíamos exatamente quem era.
 

Clique aqui para ver o trailer do filme.

Clique aqui para ver o comentário de Frede Burle.
 

 

 



08/02/2010
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