O atraso na coluna foi proposital. Afinal, essa é uma semana especial. Caso estivesse vivo, Ayrton Senna completaria 50 anos de vida dia 21 de março.
Não há muito que acrescentar à sua brilhante carreira; tanto já foi dito por jornalistas, fãs, pilotos, chefes de equipes, sobre uma vida dedicada ao automobilismo. E às vitórias; 41 no total, algumas delas que entraram para a galeria das grandes corridas da categoria.
Ou alguém se esquece da primeira vitória, em Estoril, debaixo de um toró? E a disputa ferrenha com Nigel Mansell, em Jerez 1986, superando-o por 14 milésimos? São tantas... a recuperação no Japão, 1988, onde largou na pole, teve problemas, caiu pra 16º e passou todo mundo para garantir o primeiro título... aliás, quantas madrugadas felizes...
Para a torcida verde-amarela, claro, as maiores foram as duas vitórias em Interlagos. A primeira, correndo as últimas voltas somente com a sexta marcha. A segunda, sob chuva, derrotando o imenso favoritismo das Williams e sendo levado pelos torcedores, que invadiram a pista.
Ou mesmo aquela que foi considerada a volta de placa: Donington Park, 1993. De quinto pra primeiro. E um show em seguida, colocando uma volta de vantagem do terceiro colocado pra baixo.
Hoje, quase dezesseis anos após sua morte, o nome de Ayrton Senna ainda causa emoção na torcida, agradecimento das crianças auxiliadas pelo seu Instituto e reconhecimento dos pilotos. Basta caçar na Internet a quantidade de declarações que vários pilotos e ex-pilotos no dia de hoje. Ayrton, obrigado por toda a alegria!
Apenas reconhecimento?
O GP do Bahrein foi um porre. Ou melhor: um sonífero da mais alta qualidade. A Ferrari sobrou, com Fernando Alonso em primeiro, seguido de Felipe Massa, que mostra estar totalmente recuperado do acidente na Hungria.
Mas para quem esperava um show de disputas e ultrapassagens graças ao novo regulamento, se decepcionou. Alguns culpam o desenho dos carros; outros, os pneus dianteiros, mais estreitos.
Claro que também existem pistas que não proporcionam emoção nenhuma (na Austrália, a história deve ser diferente). Mas eu me pergunto o que fez a Fórmula 1 ficar tão tediosa de uns anos para cá. Nos anos 80 e 90, principalmente, as disputas eram ferrenhas, pilotos correndo sempre no limite, sempre em busca do primeiro lugar.
Será o regulamento, cheio de frescuras? A aerodinâmica dos carros? Os circuitos? Falta de vontade dos pilotos? O fato é que a Fórmula 1 precisa renascer como ‘disputa’.
"Daqui pra frente, tudo vai ser diferente..."
E, em São Paulo, levando-se em consideração a correria e os inúmeros problemas de uma corrida organizada em quatro meses (Sambódromo liso demais, e depois, com poeira demais; ondulações enormes; falta da segurança na sexta-feira...), a prova inaugural da Indy na América do Sul foi um show de ultrapassagens. O desenho do circuito mostrou-se válido; foram pelo menos três pontos de ultrapassagens claros.
O Brasil se deu bem: Vitor Meira foi o terceiro. É sempre bom ver um brasileiro no pódio em corridas disputadas aqui. Claro que eu preferia ver a Bia Figueiredo no pódio, mas o 13º lugar alcançado por ela, depois de estar em sexto antes do toró, deve servir como cartão de visitas para que a Dreyer Reinbold contrate-a para a temporada toda.
No fim das contas, o saldo da prova foi positivo Principalmente por parte da torcida, que lotou as arquibancadas. Mas fica a lição para que em 2011 tais erros primários não se repitam.
E que, principalmente, ninguém use a corrida para fazer campanha eleitoral. Quanto à isso, adorei a cara de desdém do Will Power (o vencedor) quanto ao leite e ao José Serra.
Em tempo: cadê a imparcialidade do Grupo Bandeirantes de Comunicação? Dizer que a corrida foi um sucesso e que este foi o maior evento esportivo do ano foi de doer os tímpanos. Não é nem o mais importante da cidade, ainda – a Fórmula 1 ainda está a léguas de distância, e tem Maratona de SP, São Silvestre... precisa melhorar para ser considerado um evento top. O caminho foi trilhado; basta fazer direito daqui pra frente.