Brasil - Santos - 9/9/2010
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Todos os Tons
Julinho Bittencourt - é jornalista, músico e atualmente reside em Brasília.
Digo e a New Gafieira, um final de semana de sol

 

Não tem pra ninguém. Quem desce pra Baixada Santista e não dançou/ouviu o som da Digo e New Gafieira foi a Roma e não viu o Papa. Mas não se assustem os impossibilitados de chegar por duas razões, uma consequência da outra.

 

A primeira é que a banda que anda causando furor nas noites da cidade de Santos e região acaba de lançar o lindo disco “Digo e a New Gafieira”. A outra é que o disquinho é tão bom, mas tão bom, que daqui a pouco vai desembarcar em todas as cidades do Brasil.

 

Digo, o líder da banda, é baterista de origem, o que explica o suingue do seu som, a grande riqueza rítmica das suas composições e o jeitão de cantar, relaxado, afinado e com muito balanço. Suas melodias e versos contam entre as falas e as pausas histórias bacanas, divertidas.

 

Com breques e harmonias inesperadas e simples Digo constrói frases musicais bonitas, uma new bossa nova onde se mistura tudo o que dança. Na sua intenção cabe funk, samba-jazz, samba-rock, samba-pop e, principalmente, um jeitão próprio que traduz como ninguém o calor da sua praia.

 

Suas canções são construídas de forma direta e clara. Fala, toca e canta num tiro só, de uma vez e de jeito alegre e fácil. Tudo o que faz vem carregado de prazer, sorriso e alegria, sempre aberto pro mundo.

 

E pra todos os mundos, como ele mesmo traduz em “Um Samba de Primeira”: “Um samba de primeira eu guardo na geladeira que é pra conservar, Mas não importa se ele vem da China ou se vem da esquina pra contagiar”. Seja numa canção romântica, como “Bonita” ou em outra mais politizada como “Respeito”, tudo sempre vem cercado de beleza e intenção positiva.
 
Com pinça e lente de aumento

 

E, como todo bom homem de frente, Digo recolheu com pinça e lente de aumento a rapaziada na New Gafieira.

 

Na cozinha, que invadiu a sala, estão os percussionistas Cláudio Sapo e Rogério Berin, este último na percuteria e também manda ver nos vocais; no contrabaixo Rogério Duarte, um dos melhores no seu instrumento desta e de muitas outras plagas já não é de hoje; nas guitarras estão, além do próprio Digo que também participa na percussão, voz e vocais, o Beto Gonçalves, experiente instrumentista e compositor, com várias aventuras por muitas bandas de suingue.

 

Pra completar o time, como músico convidado está o tecladista Luiz Ramos. Como se ainda fosse pouco, como cereja do bolo, o disco que tem um som excelente, foi gravado pelo Ayrthon Boka, uma lenda da guitarra e dos botões na baixada santista que ainda fez um solo de violão em “Respeito”.

 

E, por falar no Boka, pouca gente sabe, mas gravar um disco dá um trabalhão danado. E, mais trabalho ainda dá deixar o disco desse jeito, como se tivesse sido fácil fazer. Neste, a música rola mesmo feito um passeio pelo Gonzaga, tradicional bairro comercial e de lazer de Santos, que mereceu um lindo tema instrumental que encerra o dsico “Digo e a New Gafieira”.

 

Tudo bem, a rapaziada ralou. Mas que o disco ficou com uma baita cara de final de semana de sol prolongado, ah, isso ficou.
 
Clique aqui para ver uma canja do Digo e sua trupe.

 



10/04/2010
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