Brasil - Santos - 9/9/2010
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Pisando Fundo
Rodrigo Vilela Silva - é redator e especialista em F-1 e outros esportes
Quem é a porcaria?

 

O que uma frase não causa, hein? A bendita declaração de Rubens Barrichello após o GP da Malásia, pra variar, deu chilique entre os jornalistas brasileiros que cobrem ‘in loco’ a temporada. Entre tantos outros que nós conhecemos, e que tem como hobby (ou objetivo de vida) falar mal dos esportistas brasileiros.

 

Mais especificamente na Fórmula 1, não foi a primeira e nem será a última vez que Rubens Barrichello terá de aturar isso.

 

Uma simples frase, “o ‘porcaria’ do carro ainda não está bom”. O que tem nessa frase pra deixar os nervos à flor da pele? Todo mundo que estava perto viu o clima de descontração que isso aconteceu.

 

“Ah, mas a Williams não vai gostar”, alguns disseram. E daí? A Williams é uma equipe que se perdeu entre 2002 e 2005, e ainda busca a recuperação. Com certeza o sir Frank Williams vai levar essa frase como um incentivo, até porque Barrichello pode reclamar demais, mas trabalha duro para buscar o melhor acerto do carro sempre. Até porque, se o carro não é ruim, o motor é; decepção para este colunista, que acreditava no sucesso da Cosworth.

 

“O Rubinho só sabe reclamar”, “é um chorão”, outros dizem. E o Lewis Hamilton, que foi incompetente e afobado na Austrália? E descarregou a raiva dele na equipe? E depois, na Malásia, onde, após a classificação medíocre (culpa de todos da McLaren e Ferrari, diga-se), e após a equipe acertar na estratégia para colocá-lo em quinto, não teve a humildade de reconhecer a capacidade da equipe rubro-cromada?

 

Só que no exemplo acima, o inglês foi tratado com honras e louvores, com adjetivos do tipo “aguerrido”, “justo”, “sincero”... até mesmo Fernando Alonso, tido como o melhor do grid atual (esqueçam Schumacher, esse faz parte da Divisão Especial do Hall da Fama) vivia reclamando da Renault. Por que ninguém o tratava como chorão (aliás, ele é até hoje)?

 

Esse é o maior problema da imprensa brasileira, de um modo geral. Não só a imprensa, claro, mas o jornalismo, num todo, tem o poder de, além de informar, gerar opiniões. Por que há dois pesos e duas medidas? Por que o tratamento com quem é de fora é mais correto? Por que os brasileiros são vítimas de adjetivos esdrúxulos? Por que a imprensa brasileira esculacha os representantes nacionais e endeusa os estrangeiros?

 

Ninguém merece. Desse jeito seremos tão “reconhecidos” quanto às imprensas espanhola, inglesa e italiana, famosas por criar factóides, desmerecer os outros e comprar confusão a todo custo.

 

 

 

 


14/04/2010
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