Os bairros populares da periferia são acinzentados, escuros, como identificando seus problemas e dificuldades. Fora as marcas dos incêndios e enchentes que danificam suas estruturas, com frequência.
Na contramão dessa realidade, vi que existe um projeto Cores do Dique, na cidade de Santos, que ora se inicia na Vila Gilda.
Tintas de todas as cores passam a colorir as casas-palafitas, usando os braços e mãos da própria população e com o apoio do poder público – federal e municipal, além de indústrias de tintas.
Objetivo: melhorar a qualidade de vida, transformar o triste no alegre, unir esforços dos moradores em lutas comuns. Num segundo plano, oficinas de educação ambiental, de preservação, de higiene, de saúde.
Olhando esse fato, percebe-se um outro movimento de cores em vários bairros da cidade, onde o verde-amarelo desponta em ritmo de nacionalismo. Isso mesmo.
Com a presença da Copa do Mundo, em especial os jovens começam a transformar as ruas, as casas, em um cenário de competição futebolística. Além das pinturas, alguns programam telões nas calçadas para a torcida coletiva nos dias de jogos do Brasil.
Tudo muito positivo. Bom que o futebol ainda é uma das poucas manifestações de união e de demonstração de que somos unidos em torno da nossa nação.
Pena que termina com o encerramento do evento e que depois tudo volta à normalidade anestésica, onde fazemos de conta que não vemos as mazelas.
Os moradores já não se unem para lutar pelos seus direitos. E as cores fortes, de vários matizes, vão se desbotando e perdendo o viço.
A própria Vila Gilda, com o tempo, infelizmente, fica esquecida e descolorida.