Brasil - Santos - 9/9/2010
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Prosa e Mídia
Eunice Tomé - é jornalista, mestre em Comunicação e escritora.
Os tesouros da Turquia

 

Não há nada melhor do que mergulhar na civilização do país que se vai visitar, com seus costumes, culturas e seu dia a dia. Foi o que fiz na viagem recente à Turquia – em maio passado.

Os doze dias representaram quase as 1001 noites da velha literatura, onde pude sonhar com os sultões e se imaginar como uma das preferidas de seu harém, nos tempos distantes da presença do império otomano no poder. Ou até do staff do homem símbolo da Turquia e o responsável pelo Estado Republicano – Ataturk.

Istambul foi o ponto de chegada. Embora muita gente pense que essa seja a capital do país, ela é simplesmente a cidade mais importante e a que guarda os símbolos e as marcas dos povos invasores, desde os hititas, gregos, romanos, bizantinos, otomanos, ingleses e tantos outros. Ancara (Ankara), a capital, é moderna, sede do governo e retrata a história das civilizações, no museu do mesmo nome.

Aliás, as marcas de muitos séculos Antes e Depois de Cristo estão na cultura, no gosto pelas artes, construções de teatros, bibliotecas, esculturas em pedras, mármores, erigidos e ainda imponentes nos restos das cidades redescobertas nas escavações. Isso não só em Istambul e Ancara, mas também em Tróia, Canakkale, Éfeso, Pérgamo, Kusadasi, Pamukkale, Hierápolis, Konya, Capadócia, Ismirna. Foram cerca de 1.600 km percorridos nesse trajeto. 

O que é muito curioso na Turquia é estar seu território em dois continentes – na Ásia Menor, chamada de Anatólia e na Europa, chamada de Trácia. Não se percebe, porém, nenhuma diferença no modo de ser da população que habita uma ou outra área. O estreito de Bósforo é que faz a divisão dos dois continentes em Istambul.

A formação da República Turca

A bandeira vermelha, símbolo da nacionalidade, está em toda parte, com a lua crescente e a estrela em branco, estampadas no seu centro. Ela tremula com ares de independência e alegria e demonstra as reformas que foram implantadas no país a partir da revolução iniciada em 1919 e formalizada em 1923, com a formação da República Turca, com sistema parlamentarista.

Ataturk, seu mentor, com certeza, foi um visionário e fez as mudanças necessárias para seu povo, que até hoje o idolatra, mesmo depois de sua morte (1948). Seus olhos azuis e sua imponência levaram milhares de seguidores em seu caminho, transformando a velha Turquia, dependente e atrasada, num país livre e em desenvolvimento.

A religião mulçumana tem predominância. São 99% de mulçumanos ou islamistas e apenas 1% de cristãos. Apesar disso, o país é laico e todos têm liberdade de seguirem suas crenças.

Por tradição, os hábitos escuros das mulheres que cobrem a cabeça e todo o corpo são mantidos e as mais jovens já começam a usar o mesmo estilo de vestimenta, mas com algumas cores. Fora outras que aboliram essas regras e usam roupas ocidentais.

Está proibida a exigência de trajes mulçumanos nas escolas, nas empresas públicas e privadas, apenas nas mesquitas, que são em número de 3 mil espalhadas por todo o país. De seus minaretes, eles chamam por microfones, os fiéis para as preces. 

Os sabores e as cores são sempre sentidos e visíveis - nas especiarias de sua culinária forte e temperada; nas frutas secas; nas papoulas brancas e vermelhas esparramadas pelos vales; na fumaça do narguilé, com os fumos aromáticos e frutais; e na degustação do raki, bebida tradicional. O Grande Bazar e o Bazar Egípcio ou das Especiarias são os pontos fortes de todos esses produtos que deixam os turistas perdidos em seus desejos de carregar parte do país em suas bagagens.

Cenário de cores

Tapetes, pachiminas, turquesas e pedras preciosas, o olho azul da vaca em todo canto, complementam o cenário de cores desse país de mercadores hábeis e convincentes na arte de negociar.

As águas sempre presentes do Mar de Mármara, Mar Negro, Mediterrâneo, Bósforo, Mar Egeu, trazem a farta culinária de peixes e frutos do mar, além de serem pontos estratégicos para a defesa e a comercialização de seus produtos para todo o mundo. A Turquia, estrategicamente, lidera o Oriente Médio na produção de aço, ferro, cromo, carvão e linhito.

Em uma área de 779.450 km2 e uma população de 70 milhões de habitantes, todos falam a língua turca. A moeda é a Nova Lira Turca e eles aguardam para entrar na comunidade européia. Em comparação com a nossa moeda, o real, a lira é cerca de 20% mais valorizada.

Viagem de imagens, cheiros e sabores e uma compreensão do outro, de civilização de milhares de história, de religiões, de guerras e conquistas.
Como turista, não dá para sentir as tramas e interesses políticos que são tratados nos bastidores, mas dá sim para ver que eles não são preconceituosos com outros costumes e vivem em harmonia e em segurança.  Tesekkür ederim – obrigada.
 


21/06/2010
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