Há uma música que diz: "tem gente que vive chorando de barriga cheia". E como há!
Quando essa música diz isto, o bom entendedor fica perplexo e divaga nos seus enigmas. Nós temos tudo de graça e não damos valor porque tudo nos parece presentes da sorte.
É direito adquirido. Quem assim conclui, é hipócrita. Quer ver como tudo é de graça e nós ficamos embasbacados? O vigor dos nossos corpos, de nossas almas de nossos espíritos. Os frutos colhidos com a Dádiva na família, com os amigos, com o ser humano, com a natureza, com os animais...
Os presentes são incontáveis. O crepúsculo, a brisa da noite, o amanhecer. O visual da floresta, do mar, do céu estrelado, do orvalho, do amanhecer, isso e muito mais é de graça. Os dons do tato, da visão, do gosto, da audição, do olfato.
De graça também temos o sexo. Que maravilha! Com preceitos, é lógico. Não fazemos esforço nenhum para ter tudo isso de joelhos aos nossos pés.
No marasmo da ignorância
Tudo isso é uma Dádiva de Deus, que passa como uma nuvem passageira, se desviarmos os dons. O desvio será como uma chuva tempestuosa. E nós emperramos no marasmo da ignorância. Empacamos como mulas. Elas podem empacar porque não pensam e, nós que pensamos por que empacamos?
Acho que empacamos porque queremos comodidade, não queremos mudanças, não queremos perder as facilidades adquiridas com o esforço pequeno.
Ninguém quer herdar dificuldades. Todos queremos facilidades. E a felicidade será de graça também?
De jeito nenhum. Depende do plantio, do gosto, da cor, da escuta, do toque na qualidade, do cheiro que pode ser de uma rosa.
Ai vem a alegria atrelada à felicidade..
A felicidade deve ser como uma planta. Ela pode ser frondosa mesmo crescida em terreno árido. A plantinha precisa de terra adubada e seus alimentos essenciais: água e oxigênio. A felicidade precisa de muito mais: os cinco dons acima ditos bem dosados. A gratuidade pode ser perniciosa. Bem aproveitada abrange oceanos de felicidade.
É impossível felicidade eterna, mas ela pode repetir momentos que se eternizam na nossa alma. Por isso os poetas dizem que ela é efêmera. Ora vive, ora morre e felizmente ora ressuscita. O segredo está no vai-e-vem.
Ontem, eu, você e muita gente podíamos estar infelizes.
Eu, hoje, estou felicíssimo. Meu time ganhou, minha mulher me tratou bem, fiz uma boa ação, meus filhos me abraçaram. Seu dia pode ser amanhã, se não está sendo hoje.