Brasil - Santos - 9/9/2010
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Pisando Fundo
Rodrigo Vilela Silva - é redator e especialista em F-1 e outros esportes
Com a cabeça erguida

 

Parabéns, Massa.

 

Em um início de temporada que parecia ser sofrível, com os erros próprios na Austrália e na Malásia, o brasileiro soube reagir na hora certa, com vitórias convincentes no Bahrein e na Turquia, além do segundo lugar na Espanha.

 

Se a sua cota de erros acabava ali, a da equipe estava apenas começando. Em Mônaco, a escolha errada de pneus; no Canadá, um reabastecimento falho. Mesmo assim, veio a liderança do campeonato com a vitória na França, com extrema autoridade.

 

Parabéns, Massa.

 

Nas duas provas seguintes, a sensação de que Felipe poderia ter feito mais. Na Inglaterra, com chuva, não parou na pista. Na Alemanha, a necessidade de economizar combustível nas voltas finais, embora ele pudesse ter dificultado mais as coisas para Hamilton...

 

Aí veio o motor estourado na Hungria, faltando três voltas para o final. E todos pensaram: acabou. Que nada, apenas havia recomeçado. A vitória em Valencia foi fácil, fácil. Mais uma vez, provando sua recuperação após um momento ruim. A recuperação teria que vir nas duas próximas provas. Em Spa, a punição injusta ao inglês ajudou o brasileiro, mas em Monza, Felipe perdeu a chance de ser mais combativo. Apesar de tudo, a desvantagem estava em um ponto!!

 

Parabéns, Massa.

 

Mais um circuito estreante, que havia feito tão bem em 2008 ao brasuca. Mas, desta vez, a pressa (ou erro humano, ou problema da tecnologia) e uma mangueira engatada acabaram com aquela que seria a corrida da volta a liderança, em Cingapura.

 

Sete pontos em três corridas. Em Fuji, o lance do ano. A batida de Felipe com Lewis. No fim, dois pontos a menos, desvantagem de cinco; a hora da virada seria em Xangai. Mas lá, o carro vermelho não se encontrou, e Massa partiria para seu país precisando de sorte para sagrar-se campeão.

 

Parabéns, Massa.

 

Claro que um campeonato não é decidido em uma corrida. Existe toda uma temporada para ser analisada. A meta final era a vitória em casa. Seria uma mostra que 2009 pode ser melhor. A vitória veio, mas o título, não.

 

E é perfeitamente compreensível a tristeza que tomou conta do autódromo, ao final da prova. Mas Felipe Massa, mesmo chateado com o título que era impossível, passou a ser realidade e foi-se embora de vez, na última curva, sai de cabeça erguida.

 

Erros acontecem; fazem parte das corridas. Hamilton também errou. Quebras, embora comuns, acabaram fazendo a diferença, pois os rubros-cromados passaram o ano invicto (com o campeão), resistência essa que era um trunfo dos italianos até meados do século 21.

 

Felipe Massa precisava de 100 quilos de sorte. Conseguiu apenas 99. Nada mal, no entanto, para quem achava impossível ser campeão. E saiu de Interlagos no quase.

 

Por isso, mais uma vez, parabéns, Felipe Massa. Sua temporada apenas mostra o grande piloto que você é. E que venha 2009!

 

 
 

Enfim, o caneco!

 

Ele sabe o que é sofrer durante um ano, depois de perder um título. Mas, diferente do brasuca, Lewis Hamilton perdeu, em 2007, tendo 17 pontos de vantagem com duas provas para o fim. Errou nas duas e carregou, durante todo o ano de 2008, a fama de amarelão.

 

A corrida no Brasil reforçou essa idéia. Ele veio para ser quinto, e foi. Fácil? Bom, a hora que o Vettel passou por ele, o coração do inglês deve ter parado na língua. Três voltas para o fim, o sexto lugar daria o título ao Massa... mas, do mesmo jeito que a sorte o abandonou (em forma de erros) na temporada passada, desta vez, a mesma veio em forma de uma chuva mais forte na última volta, que fez Timo Glock (de pneus para pista seca) patinar. Era o presente dos deuses ao inglês; o quinto lugar que parecia tão fácil, e que quase escapou entre os dedos.

 

A fama de tremer em decisões ainda prevalece, e ele sabe disso. Mas o peso nas costas foi tirado. Enfim, o negão chegou ao topo. O mais jovem campeão da história da Fórmula 1. Congratulations, Lewis!

 

 

Quatro meses de espera...

 

A pior parte, disso tudo, é saber que a temporada chegou ao fim. E que só recomeçará no final de Março, em Melbourne. Mas vale a pena esperar. Afinal, 2009 promete ser um ano dos mais equilibrados.

 

Além de todas as discussões para baixar urgentemente os custos, ainda têm a volta dos pneus slicks e o novo desenho aerodinâmico dos carros, que - segundo os engenheiros - trará as ultrapassagens de volta.

 

Isso sem contar os favoritos, desde já, ao título. Claro que depende de como cada carro virá. Mas, se tudo correr como esperado, teremos uma briga grande: Massa, Hamilton, Raikkonen, Alonso, Vettel, Kubica... isso sem contar, de repente, se a Honda virá forte, porque aí, teremos Lucas di Grassi ou Bruno Senna na disputa.

 

Ou seja, vale a pena contar cada segundo que separa o fim de 2008 com a largada, no dia 29 de março, da temporada 2009.
 

 



08/11/2008
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