E lá se foi Augusto Boal... Na grande mídia, pouco se falou. Boal não interessa.
A mão invisível, que comanda o mundo e decide o que o povo irá pensar, comer, vestir, acreditar e produzir, decidiu que Boal é um assunto que não interessa.
Bastam poucas linhas. Um breve resumo. Sem muitas informações. Nada de contar Zumbi, Tiradentes e Bolívar.
Boal era a força. A força que traz a liberdade. Opinião. Arena. O espetáculo da vida diária.
Basta informar que foi preso e torturado.
Nada de declarações de fãs famosos. Muito menos apresentadores com cara de choro.
Teatro não deve interessar ao povo.
Muito menos o do oprimido. Nada de experimentalismos. Nem coringas. Nem Paulo Freire. Nem Brecht. Nem legislativo.
O que interessa é a gripe, a violência das ruas, o aquecimento, o terror. A vida vazia das celebridades fabricadas.
O que interessa é a idéia de que nada mais pode ser feito.
A vida deve ser uma rotina previsível como a programação recorrente dos canais de TV.
O filho do padeiro queria reação. A ação que faz parar a engrenagem; reação popular. A criação coletiva. A verdade escondida. Luzes no palco da vida diária.
Seu teatro trazia a chave para nos libertar de qualquer vírus. De qualquer guerra. Da imprensa e de seus anunciantes. Dos anunciantes...
Definitivamente, ele não interessa.
NE: Estou dando um pitaco no artigo do Leandro e anexando um link do portal Carta Maior, com uma matéria interessante sobre o Boal. Clique aqui. ( JLLousada)