O ano era 1986. A chegada de Nelson Piquet a Williams veio carregada de expectativa, afinal, era o bicampeão em uma equipe de ponta, e contra o inglês, que nunca tinha ganhado nada expressivo. Status de primeiro piloto... mas somente no papel.
Após o acidente que deixou Frank Williams paraplégico, a equipe simplesmente boicotou Piquet, dando total prioridade a Nigel Mansell. Inclusive dando-lhe melhor equipamento. Mesmo com apoio maciço de todo o time, o Leão conseguiu perder o campeonato para Alain Prost.
No ano seguinte, Piquet decidiu botar a boca no mundo. Desandou a falar mal de Frank, de Patrick Head, dos mecânicos, de Mansell, dos ingleses, da Rainha... Dividiu a equipe e sacaneou o “companheiro” de equipe de todas as formas possíveis. Inclusive acertando seu carro de um jeito errado e, após a cópia do seu staff no carro do inglês, corrigi-lo de madrugada.
As trapaças contra Mansell chegaram ao seu ápice no México, quando Nigel teve um problema estomacal (típico de quem não é acostumado à cozinha mexicana) e Nelson escondeu todo o papel higiênico. O resultado foi previsível: Piquet deixou a equipe, mas ganhou o campeonato de 1987 com extrema autoridade.
Já com o Barrichello...
Postei essa história apenas para tentar saber por que um monte de jornalista achincalhou Rubens Barrichello após o GP da Alemanha, pelas declarações do piloto bazuca sobre a equipe.
Rubens disse que a equipe “deu um show de como se perde corrida”. Sim, pegou pesado. Mas a preocupação nem é essa. Nem vou comentar sobre a corrida. Nela, Ross Brawn errou tudo que podia – com o brasileiro (nos dois primeiros pit stops; no primeiro, não pensou em uma parada mais curta para deixá-lo à frente de Massa; no segundo, um problema na mangueira de combustível).
Alguns hão de argumentar que, se Barrichello fosse bom o suficiente, teria passado Massa. Oras, achar que Felipe pudesse ser facilmente ultrapassado é desmerecer a excelente corrida do vice-campeão de 2008.
Apenas gostaria de entender o motivo de Rubens ser tratado como criança, chorão e outros termos do gênero, apenas quando reclama da equipe. Em 1991, Alain Prost equiparou a Ferrari com um caminhão; em 2000, Nick Heidfeld declarou que o carro da Prost era uma bomba; em 2007, Fernando Alonso disparou um monte contra Ron Dennis e a suposta proteção da McLaren à Lewis Hamilton; nos dois últimos anos, Felipe Massa e o próprio Alonso cansaram de reclamar de seus carros e equipes.
Em todas essas ocasiões, os jornalistas defenderam os pilotos, “cheios de garra, personalidade, sem medo de nada, mostrando suas indignações”. Mas, com Rubens, a história é diferente. Ele, por mais que tenha razão, como neste fim-de-semana, será sempre o “chorão”.
O que lamento é que esses são os mesmos jornalistas pregam a palavra da imparcialidade.