Perder nunca é bom e confortável. Depois de nos cobrir de verde-amarelo, trombetear aos quatro cantos, parar a vida por algumas horas em detrimento de um grito de gol, e, finalmente, ver ruir todos os sonhos de sermos campeões do mundo ou pelo menos de irmos para as finais, é uma derrota que surge como um soco no estômago. Paramos diante da laranja mecânica nas quartas-de-final e nada mais nos resta. E a Holanda acabou caindo diante da fúria espanhola.
Mas voltando ao Brasil. Todos os brasileiros estão mudos e reflexivos e os gestos de explosão e de torcida deverão ser recolhidos e guardados para 2014, cuja disputa será travada aqui mesmo no Brasil. Como qualquer um membro da população estou com esse espírito de tristeza e, como outras nações símbolos que caíram antes de nós, vamos voltar o pensamento para as nossas realidades nuas e cruas.
É uma boa oportunidade para rever valores e energias. Estamos na boca de eleições nacionais e parece que até então, devido à Copa do Mundo, ninguém queria saber muito desse assunto político.
E me lembrei de uma colocação do historiador britânico do século XX, Arnold Toynbee que diz: “O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que são governados pelos que se interessam”. E, na maioria das vezes, esse interesse dos que pleiteiam um cargo eletivo, não é nada recomendável, pois carregado de esperteza, de sabedoria, de arte de como fazer para ganhar a confiança dos eleitores com jogadas de marketing, discursos bem elaborados e defesa de projetos vazios.
Toynbee estudou o processo de nascimento, crescimento e queda das civilizações sob uma perspectiva global e, por incrível que possa parecer, uma manifestação popular como uma Copa, com envolvimento de tantos países (32), com suas diferenças e interesses, dá bem o quadro do que isso pode representar.
Agora o jogo são as eleições
O que se viu nesses mais de quinze dias de confrontos de bola, com todo empenho e paixão, seria muito bom se fosse canalizado para a melhor escolha de nossos governantes. Está em jogo todo um país com milhões de brasileiros e os olhos podem se voltar agora para análises desses zagueiros, atacantes, goleiros, treinadores em busca do gol, cuja melhor tradução é a meta, o objetivo, o fim de um país melhor.
Como no futebol, são dois times em confronto, fora outros que correm por trás, mas pouco oferecem de risco na alavancagem da vitória. A eleição à Presidência da República está polarizada entre o PT de Dilma Rousseff e o PSDB de José Serra, ambos com DNA socialista. Embora com algumas semelhanças, existem algumas polaridades, sobre a sede de poder absoluto e da ética. Junto ao cargo majoritário, senadores e deputados estarão ainda sendo apresentados. A escala do melhor time do legislativo também está em nossas mãos.
Como e o que fazer? Gastar energia e tempo para ler, analisar posturas passadas, comportamentos diante de situações imprevistas e estudar muito o seu voto que vale ouro e uma vitória, até maior que levantar uma taça com festejos transitórios. Aquele que vencer as próximas eleições de outubro representará um domínio por quatro anos, que pode mudar toda a rotina de um país e de um povo, com repercussões por mais tempo.
No momento, apesar das lágrimas pela derrota da nossa seleção canarinha, é apostar na conscientização de toda uma massa para os problemas políticos, econômicos, educacionais e sociais. Quem sabe assim teremos até mais condições de sediarmos a próxima Copa e fazermos gols em várias direções, até fora dos limites das traves!